Pilates Clássico x Pilates Contemporâneo

Tempo de leitura: 3 minutos

Muitos me perguntam sobre as diferenças entre o método clássico e o contemporâneo de Pilates. Então, após buscar na literatura e em diversas outras fontes, resolvi resumir pra vocês.

Equívocos de Joseph Pilates

Constata-se ao ler os escritos de Joseph que, apesar de sua genialidade, ele estava completamente equivocado em vários pontos de sua proposta. Como por exemplo, a ideia fixa de retificação da coluna, afirmação que já era criticada em sua época, hoje comprovada como prejudicial à coluna. Além disso, as adaptações do método feitas por outros autores já aconteciam desde os primórdios da técnica.

Segundo Latey (2001), Joseph era extremamente possessivo com seu método de exercícios. Mesmo assim, ele treinou pessoalmente cerca de seis instrutores. Seus primeiros assistentes, Ron Fletcher e Carola Trier, se afastaram e abriram seus próprios estúdios, porém Romana Kryzanowska permaneceu com ele. Eva Gentry se afastou para dedicar-se a dança, quando retornou, realizou modificações no método, as quais hoje são conhecidas como o pré-pilates (este é composto por exercícios que irão lubrificar as articulações e aquecer a musculatura, preparando o corpo para a aula), facilitador da aplicação do princípio do Pilates.

Para que esse assunto não fique tão massante, vamos resumir mais um pouquinho. Existem muitas interpretações diferentes do método Pilates, cada uma delas sutilmente alteradas por novos entendimentos do corpo humano ou influenciadas por  novos estilos de movimento que foram desenvolvidos desde o início do século XX (Latey,2001).

Método Clássico

A linha chamada “Pilates Original” prega que o método deve ser aplicado exatamente da forma que Joseph fazia: somente exercícios, sequências, conceitos, aparelhos e acessórios desenvolvidos por ele devem ser utilizados. A abordagem de repertório do Pilates segue os exercícios originais desenvolvidos pelo próprio Joseph. Este é o método mais tradicional, usando sequências e números de repetições padronizadas, com apenas uma pequena quantidade de modificações para diferentes tipos de corpos ou problemas. Essa escola mantém a ideia errônea de retificação da coluna, faz exercícios rápidos e dinâmicos desde o início do programa.

Alguns autores criticam veemente a utilização do termo Pilates quando introduzida qualquer modificação no método. Desta forma, criou-se um dogma (uma crença imposta que não admite contestação), algo consagrado e imutável. Mas, se formos analisar na obra de Joseph Pilates, ele afirma o contrário quando diz:

“Todas as ideias novas são revolucionárias, e quando a teoria responsável por elas é comprovada pela aplicação prática, é uma questão de tempo para que elas se desenvolvam e floresçam”.

Método Contemporâneo

O Pilates moderno, por outro lado, utiliza a filosofia de Joseph Pilates com princípios modificados, introdução mais gradual ao movimento via exercícios pré-pilates e inclui muitas adaptações e desenvolvimentos baseados nos conhecimentos científicos sobre o corpo. O que mais atrai no pilates moderno ou contemporâneo é que, embora o padrão geral de movimentos possa ser muito semelhante, cada corpo terá necessidades diferentes, assim a ênfase inicial está na compreensão do corpo, em melhorar a consciência conectando o ato de respirar ao trabalho de certos músculos. Os exercícios são sempre sob medida para as necessidades dos alunos pacientes, biotipo, seus pontos fortes e pontos fracos, respeitando seus limites.

Portanto, o pilates clássico segue a linha original criada por Joseph, não aceita qualquer modificação no método e não se molda às condições físicas de cada aluno paciente. Ou seja, podemos entender que o pilates clássico é o surgimento de um método que, com o tempo, foi sendo aperfeiçoado de acordo com descobertas sobre o corpo humano e estudos de caso, levando-o ao chamado pilates contemporâneo: uma vertente moderna, centrada totalmente nos benefícios possíveis para cada corpo, cada mente e sempre aberta para novos conceitos.

Espero que esse texto tenha ajudado você a entender melhor as diferenças e ligações entre os métodos.

 

Abraços,

Karine.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *